O nome mais comum do Brasil também está entre as maiores vítimas do FEMINICÍDIO.
Maria é o nome mais comum do Brasil. Por isso, este texto não é sobre uma. É sobre todas.
Neste 8 de março, não há espaço para homenagens vazias. O país segue registrando números alarmantes de feminicídio. Não são casos isolados. É uma realidade que se repete constante.
O Brasil avançou nas leis. A Lei Maria da Penha é um marco no combate à violência
doméstica, e o feminicídio passou a ser reconhecido como crime autônomo com pena de reclusão, de 20 (vinte) a 40 (quarenta) anos.
Também há compromissos internacionais. A Convenção Americana sobre Direitos
Humanos garante a proteção à vida e à dignidade. A Convenção de Belém do Pará
assegura às mulheres o direito a uma vida livre de violência. A Agenda 2030 reforça a igualdade de gênero como base de uma sociedade justa.
Mas reconhecer não basta.
Há também um efeito silencioso: a repetição da violência normaliza o absurdo. Aos
poucos, as Marias deixam de ser pessoas e passam a ser números. O sociólogo Ulrich Beck, em sua obra A Metamorfose do Mundo, mostra como sociedades passam a conviver com riscos que jamais deveriam aceitar. Quando a violência deixa de indignar, ela passa a ser tolerada.
E ainda há expectativas impostas. Espera-se que toda mulher queira ser mãe, como se isso fosse um destino obrigatório.
Mas as Marias não são iguais.
Há as que são mães. As que não querem ser. As que não puderam ser. Nenhuma dessas condições define o valor de uma mulher — e jamais pode justificar violência.
Liberdade também é escolha.
Falar de feminicídio não é apenas falar de morte. É falar de como as mulheres vivem — e das limitações que ainda enfrentam.
As Marias não precisam provar força o tempo todo. Não precisam se encaixar. Não
deveriam precisar sobreviver. Precisam viver com dignidade e segurança — e isso não deveria ser um pedido, mas o básico.
Neste 8 de março, mais do que homenagens, é preciso compromisso — especialmente por parte das autoridades — para conter o avanço dos feminicídios no Brasil.
O problema é que ainda se espera que as Marias apenas sobrevivam. Faltam políticas preventivas eficazes, enquanto a resposta estatal segue, em grande medida, concentrada na punição. Em muitos casos, o autor sequer chega a cumprir pena, pois tira a própria vida após o crime.
Diante disso, é inevitável a pergunta: aumentar a pena resolve? O que se impõe não é apenas o endurecimento da resposta penal, mas a implementação de medidas efetivas de prevenção.
Com urgência.


